24/04/2011

Detetive das sombras - Laís

Há quanto tempo eu não abria aquele diário? Ele era tudo o que me restava dos meus dias de detetive, era tudo que me restava das até então duas pessoas mais importantes da minha vida, Eddy e a Gêmea me faziam uma falta monstruosa, e naquela altura do campeonato eu já compreendia que tinha errado quando parti deixa-o para trás. Eu precisava daquilo, mas não devia tê-lo feito de forma tão brutal ao ponto de quase enlouquecer meu amado. No entanto fora necessário, eu precisava daquele tempo e o usei de uma forma sabia pena que no momento em que decide voltar ninguém se quer me ouviu, informações sobre as missões do Eddy e por onde ele anda eram restritas, segundo a academia eu não deveria ter voltado, não depois de todo o estrago que causei.
Era a quarta ou quinta vez que eu voltava a minha cidade natal, São Paulo, e lá estava eu folheando o diário de capa negra onde meu nome fora cuidadosamente bordado na capa. Suspirei folheando-o aquelas paginas, onde minha estava contido, cada medo, cada erro, cada insegurança e também tinha a minha alma, meu coração e descrevia minimamente a paixão e o amor que sentia por meu parceiro.
Uma lágrima correu por meu rosto, era doloso lembrar de como a gêmea deixou o trio dinâmico, eu poderia ter evitado tudo aquilo e o meu diário era a maior prova disso, e também era uma prova de eu não tinha a menor idéia do que estava fazendo, eu não entendia como e muito menos quando tomei a decisão de partir sem ele. Perder minha melhor amiga havia sido um golpe doloroso, e isso estava consumindo minha mente de forma a me deixar vulnerável, eu escondia minha dor dele e de todos que nos cercavam, no começo tinha sido difícil mascarar todo aquele remorso e culpa. Mas com o tempo tudo se tornará mais “fácil”, era simples dissimular uma felicidade que eu não tinha, mesmo para ele, achava isso tão errado, Eddy era em disparado a pessoa mais importante da minha vida, tornou-se isso quando o vi pela primeira vez, empunhando sua arma no Standy de tiro ao alvo, era o meu primeiro dia na academia e ele me chamou atenção, ele e a bela negra ao seu lado.
Joguei o pequeno livro sobre a cama do hotel e ainda com os pensamentos vagando por dias que eu tentava esquecer. Meu foco agora era reencontrar Eddy, dizer-lhe o quanto fui imatura em mascarar meus sentimentos quando ninguém me penalizaria por tê-los, na verdade até entenderiam, era uma “novata” a mais nova do trio e mesmo agora no auge dos meus 25 anos se tudo tivesse corrido as mil maravilhas eu ainda seria a “pequena” do trio.
Só ele sabia o quanto odiava ficar em hotéis e coisas assim, meu sonho era ter uma casa, um lugar estável onde pudéssemos ser felizes, olhei pela janela do décimo quinto andar, o sol começava a se por e se não me apressa-se acabaria atrasada, coisa que sempre acontecia comigo e tanto Eddy, quando a Gêmea e Simon estavam acostumados a isso. Mas esse era um habito passado, e assim como minhas roupas que iam ficando pelo chão a caminho do banheiro.
Minha mente parecia mais calma, só parecia porque quando a água quente bateu sobre minha pele branca retomei minha saga ao passado. Pouco antes de resolver me desligar da academia minha concentração transformara-se em pó, e por estar cada dia mais desconcentrada, faltava-me os quesitos mais básicos, isso me preocupava de uma maneira ainda mais dolorosa que o fato de ter deixado que a gêmea se fosse. Primeiro porque eu estava pondo em risco missões importantes, fato que o meu parceiro Eddy parecia desconsidera no momento de fazer o relatório, e segundo, se eu me colocava em risco automaticamente colocava-o em risco também. Eddy e eu éramos muito mais do que parceiros, sempre fomos e a vida fez questão de me mostrar que assim seria para sempre.
Na noite em que parti me desvencilhei da forma mais cuidadosa que pude dos braços de Eddy e antes de deixar o aposento que compartilhávamos selei meus lábios aos dele, desejando que num futuro próximo nos encontrássemos de novo, deixei o quarto rogando para que meu anjo caído continuasse a me amar mesmo com a minha ausência, uma vez que eu já sabia que continuaria a amá-lo.
Outro suspiro me trouxe de volta, mal percebi que já estava lavando os cachos que ele tanto gostava, deixou-os exatamente como antes, se um dia visse Eddy novamente sabia que a primeira coisa que ele notaria seria meu cabelo, assim que fechei os olhos lembrei-me de forma vaga do pequeno dialogo que tive com Lorena, uma senhora de meia idade que ate então era minha tutora na academia.
- Demorou a perceber isso Laís. – Meus olhos verdes encontram-se como os olhos negro da senhora a minha frente. – Sei de seus motivos e concordo com sua partida, mas não acha que deveria avisá-lo? – Lorena era uma senhora intuitiva, como eu, e apesar de seu tom áspero sabia que aquilo nada mais era do que preocupação.
- E...eu não sei se poderia encará-lo, dizer adeus e simplesmente partir, eu o amo Lorena, amo-o de mais. E se não for agora sinto que jamais poderei deixá-lo e reconheço que não estou em forma para continuar fazendo missões, o melhor seria o meu desligamento temporário, Eddy tem um futuro nessa academia é um dos melhores detetives que temos, não é justo eu tira-lo de vocês... Não seria justo com ele também, Eddy ama esse trabalho acima de qualquer coisa. – Minhas palavras saíram entrecortadas eu queria chorar e pedir ajuda, mas não devia. E como sempre meu senso de dever foi maior que minhas emoções. Ao menos assim Eddy teria a vida que gostava de ter junto aos outros detetives.
- Se é assim, tem minha permissão para ir querida. – Lorena me falou com um sorriso melancólico no rosto, ela me pareceu também querer chorar.
- Só tenho mais um pedido a fazer Lorena. – Ela gesticulou para que eu continuasse. – Não quero que nenhum dos meus companheiros saiba onde eu estou ou o motivo de minha partida.
Lorena meneou um sim e eu sabia que isso era uma promessa que ela cumpriria com a vida se necessário.
Mal notei quando comecei a me trocar, a roupa ja estava separada em um cabide. Usaria branco aquela noite, excerto pelo espartilho preto que colocaria por cima do vestido de alças grossas e a bota cano alto. Ao terminar de me vestir, passei a pentear meus cabelos, optei por deixá-los soltos aquela noite, uma boina serviria de adorno. Qualquer um que me olhasse poderia achar que pertencia a alta sociedade de São Paulo, quando na verdade eu costumava usar roupas assim quando estava em Londres ou Paris ajudando Monique com seus desfiles e a revista de moda. Ela definitivamente tinha me ajudado a mudar. Olhei para o relógio despreocupada, ainda tinha tempo e iria aproveitá-lo ao máximo, pequei minha bolsa e sai do Hotel Ibis da Avenida Paulista.
Tudo em minha terra havia mudado seis longos anos de mudanças... Não tinha tempo para apreciar a vista, ia me atrasar e Simon e sua noiva não mereciam isso, claro que não. Aprecei o passo e adentrei na estação Masp Trianon, seguindo em direção a estação Paraíso onde fiz uma baldeação mudando totalmente de direção, na linha azul fui até a Estação São Bento, com alguns minutos de caminha cheguei ao prédio de “Madame Satãn”, ninguém mais me conhecia por ai, suspirei aliviada, assim pelo menos eu não teria de responder a uma serie de perguntas...
Duas horas depois, sai do prédio havia perdido totalmente a noção do tempo rindo sozinha dos novos freqüentadores da casa, meu sorriso morreu quando o vi no alto de um prédio. Não podia ser ele e se fosse existiria alguma chance de poder me explicar? Talvez eu estivesse louca, tendo alguma alucinação ou algo assim devido à vontade de reencontrá-lo, eu tentava acreditar nessa hipótese, mas era impossível ouvir a razão quando todo o resto do meu corpo confirmava o que eu já sabia...
Acabei me atrasando um pouco, atraso que foi compensado pela rapidez do metro, logo eu estava novamente no meu ponto de partida. Caminhei da estação até Bar e Restaurante Esper Stupp, Simon me esperava do lado de fora e junto a ele estava uma ruiva que eu julgava ser sua noiva...
Apesar de ter jantado com Simon ainda me faltava alguma coisa... Vir a São Paulo sempre significou comer algumas porcarias que eu evitava quando estava no estrangeiro, e já que o “maravilhoso” hotel em que me encontrava estava sem mantimentos, depois de meia hora de “conversas diplomáticas” por parte da gerencia acabaram me dando um cartão sem limites para comprar o que quisesse, pena que esse “o que eu quisesse” resumia-se a comida. Suspirei entrando na loja de conveniência, ali concerteza poderia matar meu desejo por chocolates e outras “porcarias” que ninguém deveria comer. Ao abrir a porta da loja o ar quente brincou de leve com meus cachos, sorri ao ouvir a sinaleta tocar avisando que um novo cliente adentrará na loja.
- Pois não? – Uma garota de estatura mediana veio ao meu encontro, seus olhos castanhos pareciam cintilar. E eu podia apostar que ela estava apaixonada.
- Um copo de chocolate quente, por favor. – Disse a ela ainda sorrindo.
Como era de costume acabei varrendo a loja com o olhar, ou pelo menos tentei fazer isso, afinal assim que comecei meus olhos encontram os dele, tão dourados quanto os que tinha visto a pouco mais de três horas... Os cabelos haviam mudado um pouco, mas quem ligaria pra isso? Eu se quer conseguia me mover, vendo-o ali, o Destino estava brincando comigo, só podia estar ou brincando ou me presenteando e se fosse esse o caso eu aceitaria o presente de bom grado. Quando pensei em me mover ainda encarando-o incrédula, ele simplesmente solveu todo o conteúdo de sua xícara, ele pareceu incomodado com minha presença fato que me impediu de me mover, Eddy levantou-se e caminhou em minha direção, ele iria embora? Partiria sem me falar nada? Agiria como se fosses-mos dois estranhos? Não eu não podia deixa-lo sair, mesmo que parar isso tivesse que derrubá-lo no chão daquela loja para lhe contar meus motivos para deixá-lo e o motivo pelo qual havia retornado.
Por sorte não precisei de tanto, apenas segura-lo pelo braço e pedir que fica-se foi o necessário para pará-lo.
- Eddy. – Sussurrei tentando encontrar minha voz. - É você?
Meu coração já disparado acelerou cm o sorrisinho de canto que só ele poderia me dar, eu não precisava de mais nada para reconhecê-lo, mas mesmo assim ele disse.
- Sim, Laís, sou eu.
O abracei sem pensar duas vezes, finalmente tinha encontrado-o, se ele iria me escutar e voltar a ficar comigo era uma outra história, mas por aquele instante, me contentava com seu corpo rodeado por minhas mãos. Não notei quando as lágrimas rolaram por meu rosto, não importava eu estava feliz, feliz porque apesar dele ter demorado a corresponder meu gesto afetuoso eu finalmente o tinha para mim. Quando finalmente me desprendi de seu corpo e passei a encarar seus olhos não resisti e acabei beijando-o, depois de fosse o caso me entenderia com a namorada dele ou noiva.. Nfm, não queria pensar nisso, Eddy era meu, sempre foi e sempre seria. Eu queria demonstrar tudo naquele beijo, a saudade, o amor, o carinho, a falta que ele fizera nos longos sete anos que passamos longe um do outro, eu o queria mais perto, e acabei puxando-o pela nuca ao meu encontro, ele também pareceu querer fundir nossos corpos ali mesmo, já que suas mãos espalmadas em minhas costas me puxavam de encontro ao seu corpo.
Ele encerrou o beijo com um selinho, por um breve instante me irritei com aquilo, digo breve pois só depois de seu selinho notei que já me faltava algo básico... Não tinha mais ar para continuar o beijo, e mesmo não tendo notado se ele não o fizesse eu o faria. Por um segundo pensei que ele fosse se afastar, mas ele não o fez, pelo contrario em um gesto cândido pousou sua testa sobre a minha, não sabia se ele estava olhando ou não, mas sorri, não queria estragar a sensação que a proximidade do corpo dele emanava para o meu corpo abrindo os olhos, queria solver sua existência, queria torná-lo meu.
- Eu te encontrei – sussurrei repetidas vezes, pedindo aos deuses que aquilo não fosse apenas mais um sonho. – Sabe como eu fiquei doida quando o pessoal da academia falou que você estava enlouquecendo se expondo ao perigo todas as noites em caçadas suicidas? Que não queria mais me ver? – Minha voz soava tão doce, eu não tinha coragem de gritar com ele, não tinha como forçar um tom reprovador, não com ele, não quando eu só queria respostas. Aos poucos abri os olhos, fitando o rosto moreno pelo qual era apaixonada.
- Mas eu não enlouqueci. – Ele fez uma pausa breve. – Consegui com muita luta recuperar minha sanidade pensei que você não queria mais saber de mim. – Aquilo fez meu coração doer, como eu pude ser tão tola a ponto de ferir meu amado daquela maneira? E ele continuou – Você simplesmente partiu e não me disse adeus!
Eu queria gritar, dizer-lhe que não tive coragem de dizer adeus não partiria e porque eu nunca diria adeus a ele, não quando tinha certeza que iria voltar, mas ao invés disso tudo que consegui dizer foi.
- Eu ti procurei por toda parte Eddy! Eu juro! – Acariciei seu rosto com carinho, será que ele sentirá falta de receber aquele carinho tanto quanto eu sentira de fazê-lo dele? – Nunca mais te encontrei... Então fui pra França como assistente de moda de uma amiga para tentar por minha cabeça em ordem... Depois que tudo aconteceu, a partida da gêmea e aquela estúpida decisão de abandoná-lo demorei seis anos! Mas te encontrei novamente.
- Mas agora achou e não perderá novamente. – Ele sussurrou tomando meus lábiou para si mas uma vez.
Passaram alguns minutos até ouvir-mos alguém pigarrear atrás de nós.
- Senhora, seu chocolate quente. – Era a jovem, que como eu estava corada.
- Ah.. Bem. – Eddy me cortou de forma doce.
- Pode suspendê-lo Amanda e ponha-o n minha conta... – Ele disse dando atenção a ela eu até sentiria ciúmes se suas mãos não estivessem em minha cintura deixando meu corpo colado ao seu e declarando de uma forma quase descarada que eu pertencia a ele.
Não faço a mínima idéia de como chegamos ao hotel ou pior de como chegamos ao meu quarto, ele fez questão de ir direto ao assunto, jogando nossos sobretudo e minha bolsa preta em um canto qualquer do quarto enquanto me beijava. Andamos de olhos fechados até finalmente cairmos na cama macia que fora arrumada por alguém enquanto eu estive fora. Eu queria mais, e deixava isso bem claro quando o provocava com mordidinhas ou sussurrava em seu ouvido, só ele me fazia ficar assim, timidamente passei a explorar seu tronco por debaixo da camisa social que ele trajava, fiquei assim por um tempo, até finalmente retirar-la enquanto Eddy tomava meus lábios para si em beijos de luxuria e paixão.
Meu corpo estremeceu sobre seus lábios quando ele calmamente passou a trilhar um caminho pela intenção de meu pescoço, clamei por ele, queria que me fizesse sua de uma vez por todas. Suas mãos passeavam por sobre minhas cochas, aquele vestido deixava-o livre para explorar meu corpo como bem entendesse. Eu finalmente estava me entregando a ele, meu único homem.
Não foi preciso dizer a ele que seria minha primeira vez, de alguma forma ele pareceu saber disso ao se controlar e calmamente tirar o espartilho, Eddy era perfeito, encarei-o enquanto ele se encarregava de tirar minhas roupas, era perfeito, eu não conseguia olhar para outra coisa que não seus olhos, seu rosto seu corpo... Tudo nele parecia me chamar, me dar confiança para me entregar, para recebê-lo como merecia para amá-lo .
A única certeza que tinha daquele momento era que não me separaria dele nunca mais.

Quarto anos depois....

- O que a mamãe disse sobre trazer o ursinho heim? Vai perder desse jeito, Luna – Disse com um falso som de indignação, apanhando da mão de Luna, nossa filha, o animalzinho de pelúcia que ela arrastava no chão e a pegando no colo.
-Você não tem jeito mesmo, garotinha.... Você puxou seu pai em todos os sentidos.
-Ela tem muito de você também.- Eddy murmurou em meu ouvido, passando um de seus braços em torno de meus ombros.
Depois da nossa primeira noite, de muitas, nos acertamos, tive-mos uma longa conversa na manhã seguinte ele pareceu entender, e eu voltei a ser uma integrante da academia, mas isso durou pouco em alguns meses acabamos aceitando o de Simon para entrar na casa de Cultor, Eddy achava que isso era mais seguro para nós. Não que eu me importasse com sua decisão, onde aquele homem fosse, eu iria atrás e estava feliz com a decisão que tomei. Olhei para a garotinha em meus braços e sorri, lembrando de como Eddy ficará eufórico quando contei a ele sobre a gravidez, ele parecia tão feliz e em seguida veio o pedido de casamento, eu concerteza era uma mulher de sorte, estava casada com o homem que amava e fazia de tudo para que eu fosse feliz, e para completar nossa felicidade ainda tínhamos a pequena Luna que a cada dia se mostrava mais bela e espoleta, mostrando a todos o quanto saiu a mim.
Dei um beijo estalado em Eddy antes de passar nossa filha para os seus braços, ela estava ficando cada dia mais pesada.
- Ela já está grande demais para andar comigo – Expliquei a ele, que não pareceu se importar com isso, ele mesmo segurando nossa filha desceu uma de suas mãos até minha cintura deixando-a ali.
A rua pela qual andávamos era muito conhecida por mim e por Eddy.
-Onde vamos, papai? - perguntou Luna, os meus olhos verdes fitaram meu esposo brilhando de curiosidade, seus cabelos também eram cacheados como os meus e agora estavam presos em um rabo de cavalo frouxo de onde pendiam pequenos cachinhos, ela parecia uma princesinha... Nossa princesinha Logo um sorriso brincou em seus lábios estes eram do pai sem duvida, mas seu olhar desafiador era meu. Eddy beijou-se a testa num gesto de amor e candura, adorava vê-los assim.
Eu ri me aconchegando sob seu braço, senti que até então todos os meus desejos de adolescente foram atendidos, eu e Eddy formavá-mos uma família, uma família feliz.
-Já estamos chegados, Luna – Ele respondeu nossa filha em um sussurro.
-Será que ela vai gostar da nossa casa? - questionou meu marido, era só pra ele escutar, mas Luna tinha herdado do pai, muito mais que seu rostinho angelical e seu sorriso. Ela também tinha uma ótima audição, o sangue que deixava sua pele rosada pertencia ao pai um anjo e seu temperamento era meu e por tanto humano.
-Casa, no compramos uma casa, ebá! - Luna bateu palmas nos fazendo rir, ela era sem duvidas a garotinha mais amada do mundo. - Onde vamos molar?
Olhei meu amado de forma cúmplice, não responderíamos aquela pergunta, Eddy apenas a colocou no chão e cada um passou a segurar uma de suas mãos. Bom pelo menos era assim que deveríamos estar se Eddy não estivesse segurando o ursinho em forma de leão que dei a nossa filha dizendo a mesma, que ele me fazia lembrar de seu pai. Juntos passamos pelos portões adornados, todos sorriam e nós cumprimentavam, alguns até mandavam beijos para Luna que divertia-se com a situação, nunca vi criança mais festeira que ela. Andamos até finalmente parar em frente a nossa casa.
- Aqui é a sua casa – Eddy disse a Luna depois de agachar-se, tanto inutilmente ficar do tamanho de nossa garotinha. Eu me aproveitei de seu movimento, para me apoiar em seus ombros, como fazia quando mais nova e ele não me permitia ler as instruções. Eu estava feliz.
- Aqui, minha querida, é nosso novo lar. - falei para a menininha de olhos esmeraldinos, dando um beijo na sua cabeça, ficamos assim por um tempo, observando a mansão em que passaríamos a morar.
- Linda - gritou nossa filhinha, correndo para dentro da casa.
Por um instante pensei em seguir a Luna, mas os braços de Eddy me aprisionaram num abraço acolhedor, logo ele tomou meus lábios para um beijo delicado.
- Nossa casa – sussurrei com as lagrimas já escorrendo por meu rosto, eu estava em feliz de uma forma que jamais imaginaria estar.
- Sim, nossa casa! - Eddy passou a beijar cava gota que teimosamente corria por meu rosto enquanto meneava um “sim”.
- Eu te amo, Eddy – O abracei, e ele me rodou, pareceu feliz por estar de volta ao seu local de nascimento.
- Eu também Laís!
- Papa, mama – Luna gritava de dentro da casa. - Vem plá casa!
Rimos de novo, ela não tinha como não ser comparada a mim, principalmente quando fazia essas coisas.
Logo nos endireitamos e rumamos para dentro da casa, ali teríamos uma nova vida, uma vida bem diferente da que tivemos como detetives da sombra, e tínhamos certeza que nunca ninguém nunca questionaria nossa amor, pois Luna era a prova cabal de que ele superou tudo e superaria qualquer outra barreira que pudesse vir a nos atrapalhar.

End.


Um complemento para historia

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