24/04/2011

Abismo

Faltava-me a coragem para meu ultimo salto, meus pés estavam tateando as cegas as pedras gélidas recobertas de limo. – Falta Pouco. – Pensei. Quanto pensei finalmente ter coragem suficiente para pular, mas agora o doce e apelativo som das ondas era quebrado por um som de um motor - tinha certeza que um carro estava a se aproximar, será que ele estaria de volta? Não, ele não me perdoaria, eu tinha certeza disso como tinha certeza do amor que sentia por ele. Parei de olhar para as ondas que batiam contra as rochas do precipício – Tudo parece tão fácil nos filmes. - O mar estava em cólera, sua fúria correspondia aos meus sentimentos insanos.
Meus olhos correram para a cerca recém construída que havia pulado para chegar ali, próximo a beira do precipício, logo um Celta azul quase preto estacionou ao lado da cerca que estava a uns 10 metros atrás de mim, dele saiu, Eric, meu amigo, irmão e de um tempo pra cá, o homem que eu decidi que queria ao meu lado para o resto de minha vida.

- Anne, volte para casa... – Ele falou com sua voz rouca que eu passei a amar, dês de a morte de nossos pais.

- E-eu não posso Eric... E-eu não posso – Minha voz fraquejou, as lagrimas que haviam secado há alguns minutos atrás, voltava a dançar pelo meu rosto, enquanto a brisa levemente gelada acariciava o mesmo, como quem fazia um carinho a um filho amado.

- Anne, eu tenho que lhe explicar algumas coisas. – Dizia ele encarando-me, enquanto pulava a cerca, com um toque de graciosidade.

Eu dei três passos a frente extintivamente, queria abraçá-lo sentir seu calor me recobrir de proteção, como sempre acontecia, mas aquilo agora perecia tão errado, tão fora de minhas possibilidades, tão maculado... Eric era meu irmão... Como eu pude me apaixonar por ele?

- Não Eric, fique onde está. – Meu corpo parou de pronto, mal me dei o trabalho de voltar o pé, já semi levantado ao chão novamente.

- Anne, eu tenho que lhe contar uma coisa que descobri hoje. Por favor, Anne volte comigo para casa.

Ele havia descoberto meus sentimentos por ele, eu havia deixado isso Muito claro após o beijo que lhe dei essa manhã, antes de sair às pressas de casa, correndo ate aquele penhasco.

- Deixe-me Eric, a morte é merecedora de minh’ alma, uma vez que a escuridão já a possui – Na tinha coragem para encará-lo, sabia que isso era devido a vergonha que meu ser estava embebido.

- Anne... Vai ficar tudo bem, dês de que venha comigo e me escute. – Ele estava tão convicto do que falava, eu podia sentir a esperança brotar dentro de mim novamente.

- Eric... – Respondi sussurrando, ele me estendeu a mão em resposta, seria aquilo um convite? – Por favor, Eric, deixe-me.

- Não posso deixe-la Anne, meus sentimentos não permitem. – Ele continuava com a mão estendida, esperando pacientemente que eu a segurasse. – Esse precipício já nos tirou nossos pais, não deixe que ele me tire você também. – Então ele já havia percebido que minha intenção era pular.

- Eu não posso mais ficar Eric. – Desci o pé que ainda estava levantado, recuando três passos para trás, voltando a ficar equilibrada na beira do precipício, eu me encontrava virada para Eric, como se ele fosse meu inimigo e estivesse tentando me tirar do caminho correto.

- Anne eu lhe imploro, não faça isso... Não antes de conversarmos, deixe-me ao menos tentar tirar essa idéia estúpida de sua cabeça. – Ele deu alguns passos para frente, com a mão estendida, será que ele realmente acreditava que eu a seguraria? Será que ele realmente tinha esperanças de salvar minha alma decadente?

Não notei, mas meu corpo refletiu os movimentos dele, conforme ele andou em minha direção eu imitei o gesto para trás, pude ouvi-lo gritar, enquanto meus olhos se fechavam com força, quando os abri eu estava segurando na beira do penhasco e quanto tomei coragem para me soltar ele me segurou.

- NÃO... – Eric me segurava com força mais essa força não era o bastante eu estava escorregando, eu iria morrer. Droga não queria que ele estivesse ali para desfrutar de meu fim. – Anne não somos irmãos.... Por favor, agora que sabe disso me ajude e tente apoiar seus pés na parede do precipício, você não fez nada de errado.

Minhas forças acabaram ali - Eric o jovem de cabelos castanhos claro, e olhos intensos cor de avelã, tão parecido comigo não era meu irmão? – Meus pensamentos foram se perdendo e a ultima coisa que lembro foi de estar caindo e levanto meu amado comigo, ele me abraçou , esquentando-me e protegendo como sempre havia feito.

- Eu também ti amo Anne.,. – Foram as ultima palavras que eu pude ouvir de Eric.

Uma luz nos engoliu, não sei como, mas os braços quentes de meu amado foram forçados a me soltar, eu continuei a ter a sensação de queda, e agora meu amado já não estava mais ali, meus olhos se abriram e eu me via em queda livre, um abismo infinito começava a me engolir e tudo que eu sabia era que eu amava e ainda amo meu irmão Eric, mas ele foi eleito para o paraíso, tornando-se um anjo, enquanto eu não fui merecedora do inferno e nem to céu, ficando assim no purgatório, caindo... Sentindo o Vazio dentro de mim aumentar, a medida que me via sem ele, Eric.

Apenas para concluir, hoje depois de uma eternidade caindo, nesse abismo escuro e infinito notei que não estou em um purgatório, estou dentro de minha própria alma, que hoje não passa de um abismo escuro e sem vida

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